Durante muitos anos, ou melhor, durante toda a minha infância, na noite do dia de hoje eu colocava religiosamente um copinho com água na janela.
Lá dentro, muito bem enroladinhos, encontravam-se papéis com o nome dos meninos que eu achava que seriam "bons pretendentes". Na manhã de dia 13, mal acordava, ia ver qual era o rapaz que o Santo António escolhia para mim, ou seja, o do papelinho mais aberto (não gozem, foi a minha avó que me ensinou isto).
Hoje não o vou fazer. Em primeiro lugar, nem sequer me lembrava, foi a minha mãe que me disse que hoje era a noite dos "papelinhos"; em segundo, deixei de acreditar nessas coisas; em terceiro, tem chovido a cântaros e da maneira que este mundo está o mais provável era de manhã não haverem nem copo nem papéis ou pela chuva ácida ou por alguma rajada mais forte que tirasse as sete vidas ao copo.
Posto isto, lisboetas, bom Santo António! O que eu dava para estar aí a cheirar o diabo dos manjericos (e a espirrar o resto da noite)!